Arquivo para Fevereiro, 2007

O X da questão é: a questão em si

Postado em Penso, logo escrevo às Fevereiro 28, 2007 por lucassouza

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Ninguém suporta mais meias-verdades. Todo mundo no mundo todo está procurando respostas, e não é qualquer resposta que vai satisfazer a alma de qualquer um. Não existe mais aquela ingenuidade em respeito à “boa-religião”, onde o sujeito aceitava toda sentença que saia da boca de um sacrossanto homem. Não mais. Agora as pessoas perguntam: Por quê? Fica claro que no momento mais questionador da história da humanidade em relação ao trinômio mundo-Deus-eternidade, todos querem saber apenas o que é a verdade, e nada além ou aquém desta real verdade.
            
E qual será a resposta que estamos dando às incertezas dos nossos semelhantes? Em absoluto, ando muito inquieto a respeito disso. Tenho sérias dificuldades ao tentar não me irritar quando ouço uma pregação, ou até mesmo um diálogo entre cristãos onde as respostas às questões pertinentes à alma humana não passam de meras receitas religiosas e ocas da insistente cozinha do apagão de energia racional.Usando de mandingas-pseudo-cristãs, as respostas caem sempre no lugar comum do escambo, onde a mentalidade retroage aos tempos da pré-colonização, como fossemos nós ainda índios interessados em objetos sem valor, e Deus o colonizador/usurpador de nossas almas.
         
Estaria o nosso Deus realmente interessado em brincar desse jogo pueril com os homens, ao receber favores humanos em troca de bênçãos divinas? Ou então estaria procurando adoradores pela terra afora (como realmente está!) a fim de galardoar esses “verdadeiros adoradores de motivações dúbias” com riquezas e bens? Porque essa é a linha teológica de engano que está sendo ensinada em boa parte dos nossos púlpitos hoje. É essa teologia tão sem fundamento na verdade e tão simples de ser explicada à medida que se baseia no principio de causa e efeito das coisas, que o povo, que perece hoje por falta de entendimento da Verdade, abraça esse ensino de braços abertos. É basicamente assim que se entende: “Se eu faço coisas boas, coisas boas acontecem comigo. Se o perverso faz coisas más, ou seja, o outro que não sou eu (porque ele não cogita de forma alguma que seja possível fazer o mal ele mesmo), então coisas más acontecerão com o perverso, mas não comigo”.
        
Lembro de um culto onde ouvi uma pregação onde tudo se resumia em princípios de causa e efeito, como esse: “Se você orar irmão, o seu filho vai orar. Se você buscar ao Senhor, o seu filho também vai buscar. Se você tiver sede por Deus, o seu filho também terá”. Não foi a primeira vez que ouvi coisas do tipo, e pelo visto nem a última. E tudo isso é falado sem nenhum respaldo bíblico ou histórico, na cara-de-pau e sem constrangimento. Afinal, quantos homens dedicados, que serviram a Cristo fiel e piedosamente, sofreram por seus familiares que negaram a fé e se afastaram da Verdade? Quantas mulheres de oração morreram sem jamais terem visto seus maridos e filhos arrependidos diante da Cruz?
           
É esse o pseudo-evangelho que tem sido pregado pela maioria, onde não existe a Graça. Eles a deixam de fora, porque a Graça não é uma matemática religiosamente exata, onde tudo se consegue na medida numérica das “boas ações”. A Graça jamais será baseada em justiça própria, como se nossos atos bons merecessem grandes recompensas. Também não servirá à justiça humana, destruindo aos perversos por serem eles praticantes de obras más. A Graça é, em si, um favor imerecido. E se você prestar a atenção real nos exemplos bíblicos e não apenas olhando para a Palavra com a ótica das profetadas que apenas massageiam o ego do pecador, verá que em boa parte das vezes, a Graça se manifesta em meio à des-graça humana.
            
E porque a moda hoje então é dar respostas fáceis? 1. Porque não se quer reconhecer que em Deus convergem todas as coisas, tanto as boas quanto as ruins (Colossenses 1:16-17). 2. Porque é avidamente doído aceitar que muitas vezes nós teremos que conviver com nossas próprias chagas, simplesmente porque a Graça da revelação de Cristo por nós e em nós nos basta (II Coríntios 12:9). 3. Porque é inaceitável hoje o evangelho que sente prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estamos fracos, então, somos fortes. Quando estamos pobres, então, somos ricos. Quando estamos mortos, então, realmente vivemos (II Coríntios 12:10).
              
Sei que meus argumentos são refutados pelos “pastores” que atraem para si milhares de ovelhas, dizendo que os campos estão verdejantes, e que tem comida para todos quando, na verdade, os campos do entendimento estão mortos e os mananciais secaram. Onde se alimentarão as ovelhas que acreditaram no papo-furado das bênçãos fast-food e das promessas de alegria eterna instantânea?
          
É fato que acreditamos que a Bíblia é a BASE para qualquer resposta. Mas do que é feito o EDIFÍCIO que construímos para o mundo ver? Contextualizados com este mundo velocíssimo, o que será que estamos mostrando para nossos irmãos-humanos que ainda não viram a face verdadeira do amor? Não sendo apenas uma resposta preguiçosa de causa e efeito, que apenas levará a humanidade para um buraco mais fundo de frustração, mostremos ao mundo a Graça de Jesus, e os argumentos verdadeiros da VERDADE.
               
A VERDADE é que os argumentos saudáveis não se baseiam num jogo de figurinhas com o Criador.
A VERDADE é que nossos atos de justiça, nossas orações e boas ações fazem um bem real apenas a nós mesmo, e não a Deus.
A VERDADE é que apenas o Senhor é o dono da VERDADE, e não podemos usar de meias-verdades para angariar popularidade pessoal.            
               
Embevecido pelo alto favor imerecido de cada dia, que me liberta da minha des-graça pessoal,

            
               
Lucas Souza

Casar é…

Postado em Penso, logo escrevo às Fevereiro 4, 2007 por lucassouza

Manoella Mariano

 Photo by: Manoella Mariano  

             
Casar é bom. E eu me casei no dia 19 de janeiro de 2007 com Renata Machado Tottola (agora Souza também), a garota que me deixou estonteado olhando para o absurdo da graça que alcançou minha vida: ela mesma. Talvez tenha sido este dia o mais esperado até hoje. Desde agosto, quando decidimos “casar logo”, e mais forte ainda a partir do dia 3 de setembro, quando ficamos resolutamente noivos e a coisa toda começou a apertar no peito. 
            
“Meu Deus! É tanta coisa pra resolver!”. Talvez essa tenha sido a frase mais falada de 2006. Foram meses confabulando como seria o convite, as coisas da cozinha, o sofá da sala, a TV ideal que caberia no móvel, a cor da parede, a cama mais confortável, a decoração, o tão sonhado vestido-de-noiva, a tão reajustada roupa do noivo que não se resolvia se casaria gordo ou um pouco menos gordo, os doces, o bolo, a lua-de-mel inesquecível, as músicas da noite, toda programação, a primeira compra, etc.  
              
Casar é estressantemente maravilhoso. Pensei que fosse lidar com toda a enorme pressão da véspera numa boa, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Entretanto, meus nervos de certa forma sucumbiram, principalmente faltando exatos quatro dias para o casamento. Não chorei no meu quarto pensando que estava indo embora da casa dos meus pais ou abandonando minha família, nada disso. Mas olhar para uma vida completamente nova, com novas responsabilidades e novas contas de um valor renovadamente mais alto, num apartamento novo, onde tudo dentro é novo, e caminhar pelas ruas de um bairro novo de mãos dadas com minha linda e jovem esposa realmente nova com seus primorosos 21 anos de idade, numa vida completamente nova, é de uma intensidade larga e desafiadora. Mas eu sobrevivi. E posso dizer que se eu pudesse voltar atrás, há uns 6 meses atrás, eu faria tudo novamente. Apenas consertando alguns pequenos detalhes, tomando algumas decisões diferentes que me deixariam um pouco mais tranqüilo às vésperas do tão esperado dia.
               
Casar é melhor ainda quando se tem bons amigos por perto. E quando eu digo amigos, eu incluo nessa categoria nossos pais, irmãos, tios, avós, parentes, e até mesmo os desconhecidos colegas que se tornaram grandes companheiros, mesmo que de última hora. Ficamos boquiabertos como todos abraçaram nossa causa, nos ajudando e incentivando, seja com palavras, com a força dos braços ou com o tão suado dinheiro. Tudo isso me levou a concluir que: nossos amigos são realmente amigos! No final de tudo, depois de tanto trabalho, fomos mais que abençoados. A cerimônia foi perfeita, com tudo em seu lugar. A decoração estava linda e nossos padrinhos e convidados todos ali juntos para comungarmos em júbilo e alegria. E enfim, a lua-de-mel foi como planejamos, inesquecível, inesquecível, inesquecível, três vezes.   
                
Esse post é na verdade para dizer OBRIGADO a todos que nos apoiaram, seja por um simples e-mail ou mensagem no Orkut, seja por um breve abraço ou com um precioso presente. Como eu disse no casamento, o Senhor moveu mãos e corações para nos abençoar, e eu não poderia deixar de falar sobre isso.  
        
                  
No amor daquele que transformou a água em vinho para que a alegria dos noivos fosse ainda maior e para que não houvesse tristeza alguma entre os convidados,
                     
Lucas Souza