Estrela da Manhã
Postado em Música, Penso, logo escrevo às Abril 24, 2007 por lucassouza
O final do ano de 2004, em especial o mês de dezembro, foi um mês de muita agitação e dúvidas pra mim. Era um tempo difícil, onde eu clamava por uma direção do que fazer-não-fazer da vida. Eu estava confuso, sentindo-me usado por algumas pessoas, no sentido prático da palavra, sentindo-me um objeto descartável, ou um bibelô de púlpitos alheios. Foi então em meio essa crise que tomei uma das melhores decisões da minha vida: retirar-me por completo, completamente sozinho, numa casa isolada da cidade. Eu havia decidido que precisava de um encontro primeiramente comigo mesmo e de uma experiência de imersão profunda na presença de Deus.
E lá fui eu. Juntei meus livros, meu violão, algumas garrafas de água e muita disposição. Nos dois primeiros dias a minha grande companhia foram os mosquitos e os livros, e o mais cômico era que eu não podia dar atenção aos dois hóspedes ao mesmo tempo. Ou eu me concentrava na leitura, ou passava um bom tempo tentando matar alguns dos visitantes absurdos que insistiam em me picar. Entretanto, a presença de Deus era real.
Foi durante essa semana que fiquei impactado com o texto de Isaías 61 e entendi toda a mensagem que deveria liberar no novo CD. Foi também ali que me veio o nome “Caminho de Revolução” e seu profundo significado já tão cravejado em minha alma.
Algumas pessoas costumam me perguntar por que revolução, da onde eu tirei essa mensagem. E o engraçado é que a resposta mais tem a ver com a observação de fatos da vida do que com uma mensagem bíblica em si, apesar dos dois possuírem um ligação intrínseca. Foi nesse ano de 2004 que comecei a me interessar pela vida de Che Guevara. Che foi o maior revolucionário da história do nosso continente, e me interessei tão profundamente por sua vida que em menos de 3 meses li mais de 3 biografias que contavam de aspectos diferentes da vida dele. Até hoje ainda resiste um adesivo da face do Che colado no case do meu violão, e me perguntam: “Porque Che e não Jesus?”. E a minha resposta vai como a dos sofistas: “Porque não Che?”. Se o sujeito me der uma resposta muito, mas muito boa, inteligente e convincente, ai então eu me colocarei a responder uma pergunta tão absurda.
Nunca me coloquei a olhar para a vida de Che Guevara como um seguidor apaixonado de sua teoria política. Ao contrário disso fui e sou apenas admirador de um homem que foi até o fim na luta pelo que acreditava, e foi até o fim ao ponto de abandonar sua grande conquista – Cuba – e morrer na luta pela libertação de outros povos, da forma que acreditava ser possível.
A minha afirmativa é: na ausência de homens dispostos a morrer hoje por sua fé, eu me sinto completamente a vontade falando da vida de quem morreu por isso.
Che dizia que “A revolução primeiro tem que acontecer dentro do coração do homem”, e foi essa a mensagem que me deu o link para “Caminho de Revolução”. A revolução de Cristo que deixará o mundo de boca aberta precisa primeiro acontecer dentro do meu e do seu coração. A transformação de mente e de espírito, a consciência de saber quem se é diante de Cristo, precisa começar por dentro, e não por fora. Entretanto, 2.000 anos depois de Cristo, ainda existem os mesmos fariseus e hipócritas insistindo em dizer que essa revolução está acontecendo hoje, agora, apenas porque o que eles louvam não é o que vem de dentro, mas sim o carnaval de formas religiosas que acontece do lado de fora.
Uma frase de Che que gosto muito é a seguinte: “Quando o extraordinário torna-se o cotidiano, é a revolução”. E o que é extraordinário hoje, meu caro? Extraordinário é amar ao próximo como a si mesmo, e a Deus acima de todas as coisas. Extraordinário é entender que o meu próximo é qualquer um que eu me aproximo, e esse qualquer um eu não posso escolher. É o ser comum que eu esbarro quanto pego o 121 para ir ao Centro de Vitória, é o “joão ninguém” que ninguém chamaria de próximo que trás as compras do supermercado até a minha casa. Da mesma forma que Deus não escolheu a quem amar, e por isso derramou o sangue do seu filho unigênito para que TODOS pudessem ter a salvação através da Graça, eu não posso fazer distinção entre meus semelhantes, eu não posso escolher a quem devo amar, afinal, Deus amou o mundo.
Mas bem, vamos voltar ao assunto. Estava eu falando da semana que passei sozinho, e de tudo que aconteceu por lá. Foi na terceira noite, quando eu estava terminando o livro de Daniel, e um temor enorme pairou sobre os meus ombros. Por vários minutos eu não consegui me mexer nem abrir os olhos, sequer tive a coragem de olhar em minha volta. Eu estava prostrado, e só conseguia tremer. Jamais me esquecerei desse dia, quando realmente entendi o que é servir e seguir ao Senhor em “temor e tremor”. E foi nessa noite maravilhosa que “Estrela da Manhã” nasceu. Talvez tenha sido a música que eu compus em menos tempo até hoje. Desde a primeira frase até o final, juntamente com a melodia, brotou completa.
Seria interessante falar então da letra, e do significado dela.
Eu procurei tua luz
Sabes o quanto vaguei
Quando encontrei o Caminho
A tua alegria me encheu de canções
E pude seguir
O caminho da verdade é fascinante. E talvez o que eu mais tenha feito na vida, desde que me entendo por gente, é procurar por ele. É certo que talvez a maior parte do tempo eu tenha procurado nos lugares errados, mas como diz o ditado: “quem procura acha”. E pela Graça eu achei.
A Luz na palavra e na vida é a maior representação da Verdade e da verdade. A Luz, no sentido objetivo, é o que dá segurança aos homens, é o que faz as coisas enxergáveis, é o que faz com que tenhamos a possibilidade de andar sem tropeçar, e de poder enxergar e usufruir de toda a criação das nossas mãos. Já subjetivamente falando, e pela Fé que faz de qualquer subjetividade um objeto claríssimo, a Luz na alma do homem significa encontrar a Vereda da Justiça, o Caminho da Paz e do Amor, da regeneração, da oportunidade de começar de novo, e de ser “recomeçado” pela Graça. Na alma, a luz possibilita que se faça distinção entre o bem e o mal (ela só não garante que escolheremos a opção correta!).
Falando da Luz que encontrei vagando (e eu gosto de destacar que quem tem medo de vagar a esmo não encontra nada! Exatamente porque fica parado e não se arriscar na escuridão!), aquele foi o dia mais inesquecível da minha vida. É certo que eu já havia visto alguns flashes desse brilho irresistível, mas naquele dia 11 de agosto de 2001 eu fui iluminado, iluminado por completo. E de todas as formas essa alegria inundou o meu coração, e me possibilitou a vida que vivo hoje.
É incrível poder seguir a jornada com Cristo! É incrível andar nessa Luz!
Eu descobri que a Cruz
É o que faz Tua chama brilhar
Lenho perene que aquece o fogo divino
Sinaliza ao perdido o lugar onde te encontrar
É incrível como em Deus todas as coisas perdem seu sentido e são moldadas de acordo com o querer Supremo. A Cruz que para várias gerações foi a imagem da morte mais terrível, em Cristo passou a significar Vida, Vitória e Salvação. E foi exatamente nessa conotação que tomei a liberdade poética de dizer que A Cruz, O Madeiro, tornou-se então a madeira que aquece a Chama do Fogo Divino para os povos. E que esse Brilho, então, sinaliza ao perdido o lugar onde encontrar essa mesma Salvação, tão disponível e tão presente.
Você pode ver esse brilho de onde está agora? Seus olhos conseguem enxergar a linha que está brilhando além do horizonte conturbado das coisas? Pois bem, eu posso! E sei que a Salvação está aqui. Está aqui agora, para todos nós! Bendito seja o nome do Senhor!
E então a canção termina nessa declaração de adoração final:
Estrela da Manhã
Tu brilhas como o sol
Corróis a escuridão
Jesus és meu farol
Precisa-se dizer mais alguma coisa? Ele é mais que o bastante para nós! E é por isso queremos hoje dar Glórias ao nome Dele!
Naquele que faz tudo ter sentido, até mesmo um instrumento de dor e morte terrível,
Um forte abraço!
Lucas Souza
PS: Ainda essa semana vou publicar um estudo que se chama “Jesus e a metáfora da luz”, o que dará um esclarecimento melhor sobre este assunto.