Jesus e a metáfora da luz
Postado em Penso, logo escrevo às Maio 3, 2007 por lucassouza
(ainda sobre Estrela da Manhã…)
Desde a criação do mundo a luz é o símbolo da vontade de Deus aos homens. No início das coisas, onde uma Voz sem fim ecoou na largura silenciosa do universo, foi feito separação entre luz e trevas, por agradar-se o Arquiteto da luz. Ali, logo no primeiro dia, foi estabelecido o critério que faria separação entre tudo e todos, segundo a ciência Deus.
É diante da vida-história bíblica que podemos perceber que a metáfora da separação entre luz e trevas personalizou a direção tanto dos dramas da alma quanto das motivações dos passos das criaturas celestiais e dos homens, desde o princípio de tudo até o dia que se chama hoje.
Veremos Lúcifer (Isaias 14:12), que era o “portador da luz” segundo o próprio significado do seu nome, mas que por querer ser como Deus foi tombado dos céus, e recebeu como morada as densas trevas.
Veremos Adão e Eva, que habitaram o melhor lugar de se viver que já houve na terra, mas que por estarem envergonhados de sua desobediência, esconderam-se nas trevas para não serem vistos pelos olhos luminosos de Deus. Mal sabiam eles que o Criador nunca deixou de vê-los como nus, visto que dos homens Ele vê o coração que, quando revelado, arranca toda máscara, mesmo que estejamos cobertos por “folhagens” e argumentos de autodefesa.
Veremos Caim e Abel (Gênesis 4:1-7), filhos de Adão. O primeiro, Caim, foi um agricultor, lavrador de terras, e o segundo, Abel, foi um pastor de ovelhas. No dia de trazerem ofertas diante do Senhor, Abel trouxe o melhor das primícias do seu rebanho, o que agradou a Deus, enquanto Caim trouxe apenas exemplares comuns dos frutos da terra. Enquanto Abel quis agradar a Deus com o melhor que possuía, Caim queria apenas passar pela obrigação desse encontro, levando qualquer coisa como se o Criador fosse qualquer um. O que me fica claro é: enquanto a motivação do coração de Abel era luz, a de Caim era trevas. E o restante dessa história nos deixa isso bem claro.
Veremos Saul e Davi. Dois reis de Israel que tiveram ambos a mesma oportunidade, a mesma unção e a mesma porção de autoridade, sentando-se os dois no mesmo trono. Todavia o coração de Saul era trevas, visto que baseava seu domínio em invejas e perseguições, lutando desesperadamente contra a vontade de Deus, chegando ao ponto de consultar uma feiticeira ao invés de ouvir a voz dos profetas, e sendo atormentando por demônios que o enchiam de agonia. Saul tornou-se a personificação de um homem infeliz, iracundo e doente. Davi, entretanto, crescia como um sujeito de honra, preparando-se para seu destino divinamente prescrito. Desde criança aprendeu a colocar o Senhor à frente de todas as suas lutas, e por isso não temia seus inimigos. Onde todos olhavam para trás, ele erguia a cabeça e lutava, visto que sabia quem era por ele. Ao final de sua vida, tendo sido o maior rei de Israel, e mesmo sofrendo derrotas e frustrações, como qualquer outro ser humano, Davi foi chamado de “o homem segundo o coração de Deus”. Inegavelmente, seu coração era luz.
Jesus, representado como a Estrela da Manhã, é metáfora da luz encarnada no homem, e nos fala a respeito daquele que em si é a síntese da Verdade. Ele não faz negócios com as trevas, até mesmo porque o simples instante da sua presença “corrói a escuridão”, como gostamos de cantar. Não existe nenhuma crise política diante de Jesus, não existe nenhum argumento que possa fazer alguma diferença. Ele é a Verdade, e a Verdade não faz business, nem mesmo merchandising. A Verdade não precisa de publicidade, porque ela é tudo em si mesma, e não corre atrás dos outros. Não precisa de clientes. Não precisa de membros. Não precisa de crédito. Ela é. É o Eu Sou encarnado, ressurreto e ponto final.
Acredito haver aqui uma grande sinalização da real importância do coração e das suas motivações diante de Deus. Ele, que é o Senhor de todas as coisas, olha o coração. Ele vê o que não vemos. Ele valoriza o que não valorizamos. Afinal, Ele não faz parte do nosso código moral. Ele não está interessado nos outdoors, nas placas ou nas fachadas do homem. O negócio dele é outro.
O que eu sou? Ou o que eu deveria ser? Para que eu vivo ou viver por quê? São questões que fazem todo sentido quando estamos diante do brilho da Estrela da Manhã. Ela ilumina o homem para que o homem possa ver do que é feito, para que possa enxergar-se a si mesmo, e assim entender o propósito divino para seus passos, e então guiar-se por onde bem quiser, ciente da responsabilidade pessoal de ser um indivíduo único diante de Deus, ciente que apenas a esse Deus único prestará contas de seus atos, de seus passos e de seus rastros.
Nós precisamos ser conscientes de nós mesmo diante de Deus. Precisamos saber que somos feitos de barro e de pecado, e que toda pretensão nossa de auto-justificação baseada na auto-santificação será simplesmente uma medonha manifestação da face de Lúcifer em nós. Uma tentativa a mais de pular do pináculo quando deveríamos simplesmente repreender ao inimigo, e não tentar o Senhor nosso Deus.
A Estrela da manhã ilumina o homem para que ele saiba se pôr em seu lugar. Para que ele se enxergue. Para que ele não cometa o suicídio espiritual de se achar como Deus, em vários aspectos, sendo talvez o mais grave deles o achar-se o grande porta-voz da Verdade na terra, pensando que toda sentença insensata que sai de sua boca “em nome de Jesus” tornar-se-á Palavra e Revelação para todo homem. São estes os homens que, sem temor algum, aproveitam-se do medo da maioria para fazer valer suas profetadas diante dos que não vêem a Luz do Mundo.
Enfim, a Estrela da Manhã sobre o homem que ama a Deus tem o efeito do mais importante dos remédios: o Semancol. É um grito de “Se toca” ou de “se enxerga” para quem deseja encontrar-se diante do Criador.
Essa separação entre luz e trevas continua sendo feita agora dentro de nós. Ela diferencia Saul de Davi hoje, e continuará diferenciando até o dia da volta de Cristo, para que no dia do Juízo apenas, e apenas lá e não agora, saiba-se quem é Joio e quem é trigo, e seja feita, então, depois de milhares de anos, mais uma vez separação entre luz e trevas.
E foi-se a tarde e a manhã do dia primeiro!
Um abraço em todos,
Lucas Souza