Arquivo para Outubro, 2007

O que você tem hoje é o que você precisa agora

Postado em Penso, logo escrevo às Outubro 30, 2007 por lucassouza

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O dia está maravilhoso, ao menos em todas as 3 cidades que já passei hoje, apesar do meu mau humor. Dormi menos de 5 horas essa noite, peguei 2 horas de estrada descendo a serra de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro, fiquei mais uma hora no engarrafamento na Linha Vermelha, e esperei por um vôo que por sorte só atrasou meia-hora.  

Mas o dia continua lindo, o céu continua azul, apesar do meu mau humor. E ai penso que se Deus servisse à minha vontade egoísta, automaticamente quando eu pisasse em Vitória o céu ficaria nublado, a temperatura cairia no mínimo 10 graus Celsius, uma brisa refrescante aliviaria meu calor exagerado, um funcionário da TAM pegaria minha bagagem sem que eu precisasse esperar, e me colocaria, por conta da companhia, num táxi que me levasse até em casa. Mas, as coisas não acontecem bem assim, mesmo eu sendo um filho de Deus.
  
 
Descobri desde bem cedo que Ele não está aí para me mimar. Descobri também, aos 10 anos de idade, quando fui obrigado por minha mãe a ler a bíblia inteira – coisa que à época para mim era a obrigação mais pavorosa do mundo – que o sol nasce sobre justos e injustos. Descobri, vendo a vida, que a mesma chuvarada que alaga a casa de Dona Joana, irmã fiel e piedosa, presente em todas as reuniões de oração, é a mesma que alaga a casa da mãe-de-santo Sandra, dona de um terreiro de macumba.  Descobri também que Deus não ouvia minha oração, quando o São Paulo estava perdendo do Boca Juniors por 1 x 0 na decisão da Libertadores de 1990 e poucos, e a minha ingenuidade de garoto, à época, me levou a pensar que talvez fosse porque houvesse algum garoto argentino que orasse mais fervorosamente que eu, e por causa disso merecesse a vitória. Afinal, Deus torcia por quem? Ou ele não ligava tanto para um jogo de futebol como eu? 
 
Descobrir que Deus não tem time predileto, ou mesmo filho predileto, foi um passo importante na minha caminhada cristã. Compreender que Ele não faria parar a chuva para que eu pudesse pegar o ônibus da escola, também. E entender que o sol nasce para todos, só não sabe quem não quer, também.  

Incomoda-me e muito é ver gente grande, que não tem mais 10 anos de idade, pregando e cantando que Deus vai fazer isso e aquilo por mim porque “O meu Deus nunca falhará”, nessa sentença cheia de uma prepotência que pretende “ameaçar” Deus, avisando que se Ele deixar de fazer a nossa vontade egocêntrica Ele estará, então, falhando. Realmente, Deus não falhará, e ponto final. Mas eu já vi por ai que muita gente sabe juntar uma série de textos sem contextos para fazer jus a toda essa teologia-da-prosperidade-miserável que nada mais é do que uma produção interminável de sofrimento num mundo de não-satisfação e não-gratidão.  

E olha que tem muita gente que já está orando assim: 

“Pai meu que estás no céu,
Santificado seja o Teu nome.
Venha a mim o Teu Reino,
Mas não só o Teu Reino,
Pois quero que seja feita a minha vontade
Tanto na Terra como no céu.
O meu pão de cada dia dá-me hoje,
E também toda a sorte de bênçãos materiais
Para que eu possa fazer a Tua vontade nesta terra.
Porque eu sei que o meu Deus não falhará,
E mudará a minha sorte, amém.” 


É até bonitinho, afinal parece tanto com o original, não é mesmo? E serve também para aqueles mandingueiros de ponto de ônibus, que vão ficar bem satisfeitos em escrever esse pai-nosso moderno numa cédula de um real, para dar mais sorte ainda, mais bênção.

Mas o que digo é que quero viver satisfeito em Deus, independente dos argumentos atuais que tentam presunçosamente extorquir o Criador. Quantas mais oportunidades perdemos deixando passar o que está hoje diante de nós, simplesmente por almejar tanto o que não temos, esquecendo do que já nos foi dado? Quantas vezes declaramos ingratidão a quem mais deveríamos ser agradecidos, e ficamos implicantemente repetindo “sei que chegará minha vez” quando a nossa vez já chegou Em Cristo, e é o dia chamado hoje em Cristo? 

Eu preciso lembrar que o dia é lindo, sim, o dia é lindo, e o que eu não tenho hoje é porque realmente não preciso. O dia é lindo! O dia é lindo! Quero aproveitar cada momento de toda Criação de Deus e desfrutar dessa paz que não tem explicação, sem sofrer por nada que não preciso ter hoje, porque o meu Pai realmente sabe das coisas, eu sei que posso confiar nele, e isso faz do dia de hoje um dia mais lindo ainda.  

Na comunhão daquele que sabe do que precisamos melhor do que nós mesmos,


Lucas Souza
29/10/2007

A que ponto chegamos! E até onde vamos?

Postado em Penso, logo escrevo às Outubro 25, 2007 por lucassouza

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Não quero fazer parte da roda de vaidades dos que acham que um ministério é sustentado por promoção pessoal, marketing, mailing list ou qualquer outra forma de massificação e/ou manipulação. Um produto sim precisa desses apetrechos, mas um homem de verdade não. A não ser que seja um homem disposto a abrir mão de ser quem é, de seus gostos, sua ética, sua paz, sua sensatez, em troca por aceitabilidade, sucesso, reconhecimento e, é claro, money, muito money. 

Mas money a custo do que, companheiro? Sucesso a custo de que? Da própria alma, desbotada, prostituída, avariada? Da própria identidade negociada com algum capitalista de mercado fantasiado de apóstolo e que na verdade é nada mais nada menos que um supóstolo com cara de supositório? 

Cansei das máscaras, das fantasias, dos discursos que só funcionam diante dos flashes, nas entrevistas e nos palcos. Cansei dos demagogos da fé, que só são o que dizem ser publicamente. Conheço vários deles, e posso citar um que em seus discursos combate toda forma de secularismo na arte, dizendo até mesmo que em sua plena santidade não ouve música secular nem assiste a filmes violentos. Entretanto, seus amigos próximos sabem que ele adora ouvir um Pearl Jamzinho, um Rushzinho, um progressivozinho básico, e é fã numero um de Jogos Mortais. Afinal, a sua lei só vale para os outros, segundo a regra de seus labirintos psicopatológicos, onde escondido vale tudo, até mesmo publicar algumas hipocrisias maquiadas de sã-doutrina. 

Caro amigo, a que ponto chegamos! E até onde vamos? A sensação que me fica é que a coisa toda está tão corrompida que os homens perderam completamente a noção. Joselito tornou-se o grande filósofo dessa década e entramos na era do vale-tudo pelo todo ou pelo tão-pouco que lhe apeteça. O pensamento geral é: Do que vale andar corretamente? Do que vale padecer aqui embaixo se lá encima está tudo tão podre? Do que vale persistir em crer e prosseguir na Fé? 

Camarada, eu sei o quanto vale. Sei o valor de poder ser eu mesmo numa terra em que quase todos esqueceram seu próprio nome, mesmo que me custe ter menos, bem menos. Sei também que os que me detestam – e os que me detestam são os que mais me imitam – não entendem como pode um sujeito fazer o que faz e caminhar por onde caminha sem precisar negociar, transgredir e se sujeitar ao mecanismo absolutista do mercado. Sem precisar fazer agrados, sem precisar pedir para tocar, sem precisar fazer troca-troca de favores, simplesmente por entender que não poderá ser favorecido em verdade por ninguém que seja desta terra ou que possua a ganância como apelido.  

Eu peço a Deus coragem para continuar prosseguindo neste meu percurso, mesmo que sejam poucos os que tenham vontade de seguir ao meu lado. Peço também a você, leitor, que seja forte e não se renda, sinta-se tentado mas não arrastado, enfraquecido porém persistente, e almeje alcançar o foco divinamente escrito no seu coração, que se chama Verdade e brilha exuberante em meio às trevas dessa calamidade. 


Esse é apenas um escrito curto de desabafo, para dizer que eu não baixei a guarda e continuo vivo. Vivo e consciente de quem sou.  

No amor daquele que não se dobrou e venceu o assassínio dos argumentos mentirosos,  

Lucas Souza
25/10/2007

Boa coisa é comer!

Postado em Penso, logo escrevo às Outubro 24, 2007 por lucassouza

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Tudo bem, agora são 17h31min, e eu coloquei na cabeça que preciso escrever um texto em trinta minutos, nem mais nem menos. Portanto, tenho até as 18h01min para terminar. Afinal esse blog não pode ficar tão abandonado, desprezado, como um palito de picolé na praia, e eu também tenho muita coisa a fazer depois das 18h01min, o que faz com que eu não tenha tempo a perder. Pois então, do que falar? Hmmm… Deixe-me pensar… hmmmm… Oks, vamos falar de comida, porque a sabedoria da vida – e até mesmo da bíblia – nos ensina que esta é uma das melhores coisas a se fazer: comer. 
 
Tenho tido boas experiências na cozinha. Por exemplo, descobri que fazer um peixe empanado ao molho de alcaparras e limão siciliano (isso mesmo, aquele limão amarelo difícil de achar) pode se tornar uma refeição memorável. Se você for cozinhar apenas para duas pessoas – você mesmo e mais alguém – basta 500 gramas de peixe em filé, de preferência linguado ou robalo. Pegue o peixe e coloque espalhado numa tigela. Depois, numa panela, coloque 6 colheres de azeite, duas de vinho branco seco e uma folha de louro. Esquente até ferver (você vai saber que ferveu quando o vinho branco começar a incomodar o azeite de tal forma que ele se agite todo e suje seu fogão com inúmeros respingos irritadiços). Depois de fervido, deixe esfriar, e despeje sobre as postas de peixe. Deixe marinar por uma hora, virando as postas de tempos em tempos para que elas não se acomodem ao efeito relaxante do vinho. Pronto. Acabamos a primeira parte.

O segundo passo é pegar esse mesmo peixe e passar na farinha de trigo. Lembre-se que misturado juntamente à farinha de trigo deverá estar o sal, a pimenta do reino (não mistifique, por favor) e qualquer outro condimento que for do seu agrado. Passadas as postas na farinha de trigo, passe-as no ovo batido, na farinha de rosca e pronto, seu peixe estará empanado.
 Frite o peixe no óleo por 3 minutos cada lado, com o fogo baixo. Lembre-se, fogo baixo, e não mais que 3 minutos! A não ser que você queira comer um peixe-torrada, acompanhado de café, do jeitinho que agrada meu avô Waltir, que também gosta de coca-cola com farinha. Depois de frito, seque o peixe em papel-toalha e, em outra frigideira, passe-0 na manteiga e no alho. Lindo! Excelente! Agora você pode observar seu peixe pronto, e possivelmente seu coração se encherá de orgulho, e você pensará que é o melhor cozinheiro que já existiu! Mas, não se precipite! Prove primeiro, e veja se não exagerou no sal, porque se exagerou no sal meu caro, já era, você estará perdido, e se sentirá um reles mortal que se precipitou no precipício da cozinha. 

Bem, o próximo e último passo será o bem resumido molho, porque agora só me restam 2 minutos. Esprema um limão siciliano, adicione duas colheres bem fartas de alcaparras, adicione salsa picada a gosto e uma colherada de orégano. Despeje sobre o peixe observando o vapor que sobe, e admire-se do cheiro maravilhoso do seu prato. Enfim, divirta-se e deleite-se, porque boa e bela coisa é comer e beber e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu; porque esta é a sua porção, como já disse Salomão.

Abraços!

Lucas Souza
23.10.2007 

Entrevista para a Rádio Vida FM - SP

Postado em Penso, logo escrevo às Outubro 17, 2007 por lucassouza

Olá gente,

faz tempo que não posto nada por aqui, e peço a compreensão de vocês que insistem em entrar aqui para ver um blog que está mudo. Perdão! Em breve pretendo publicar algumas coisas, mas por enquanto estou na fase de gerir o texto, e só depois que eles brotam.

É o seguinte. Dei uma entrevista para a Rádio Vida de São Paulo, que tem dado uma força enorme pra gente lá em Sampa, divulgando nosso trabalho. Quem quiser ler a entrevista, encontra-se abaixo. Quem quiser ver direto no site deles, basta clicar aqui em www.radiovidafm.com.br e ler. Se puderem, comentem a respeito, ou ao menos digam um oi.

No mais, desejo o melhor para vocês todos.

Eternamente agradecido pelas misericórdias de Cristo,
Lucas Souza

Rádio Vida: Olá Lucas. Comente pra gente sobre Doxologia. O que significa a palavra?
Lucas Souza: Doxologia significa palavras sobre a glória, ou palavras de glorificação a Deus Pai, a Deus Filho e a Deus Espírito Santo. Esse termo é usado até hoje por algumas igrejas nos momentos finais dos cultos, onde a Doxologia é entoada por toda a igreja para o encerramento da reunião. Um exemplo padrão de Doxologia seria dizer: “Glórias ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, amém”.

Rádio Vida: Conte-nos: como foi o processo de gravação do CD?
Lucas Souza: Esse CD era um projeto antigo nosso, porque já trabalhávamos nessa idéia desde 2003, quando começamos a ouvir alguns hinos em versões modernas entoados por líderes de adoração como Matt Redman, Chris Tomlin e David Crowder. Dessa forma, comecei a ver que era realmente possível recriar musicalmente esses hinos tão intensos e cheios de mensagens maravilhosas, e dessa forma edificar muita gente. Ministrávamos há bastante tempo esses hinos em nossa congregação, e gravá-los foi apenas um passo a mais. Em duas semanas, ensaiamos, produzimos e captamos o CD em uma noite apenas, no dia primeiro de julho.

Rádio Vida: Doxologia conta com sete canções, sendo seis hinos e uma composição sua. Como é o processo de composição?
Lucas Souza: Meu processo de composição varia bastante. Já fiz músicas de várias maneiras. Primeiro a letra depois a melodia, primeiro a melodia depois a letra, as duas coisas juntas, entre outras. Depende muito do momento e do objetivo. Algumas vezes, meu irmão, Lúcio Souza, que compõe maravilhosamente bem, me traz a música pronta e pede apenas para eu colocar a letra. É um processo completamente diferente, porque você precisa assimilar primeiro uma melodia que não é sua, para depois pensar no que falar, enfim, é um bom trabalho. Já a canção És o Rei que Vem, que é a única música de composição minha em Doxologia, foi criada de uma forma mais inusitada ainda. Estávamos tocando em Altamira, uma cidade bem pequena, no interior do Pará, no meio de floresta, e no culto da noite, num momento bem espontâneo, onde estávamos declarando nosso amor por Jesus, veio a música inteira. Foi uma grande experiência.

Rádio Vida: Você colocou seis hinos que marcaram inúmeras gerações em todo o mundo. Como foi a escolha do repertório?
Lucas Souza: Vamos falar faixa por faixa então. A número um, Fonte és Tu de Toda Bênção, e a número quatro, Vós Criaturas de Deus Pai, são versões de hinos que já foram gravadas por David Crowder, nos CDs do Passion. Fazia um bom tempo que tocávamos essas duas versões em nossos cultos, e foram as primeiras músicas a serem escolhidas. Tanto é que quem acompanha o trabalho do Crowder vai saber que gravamos os dois hinos bem parecidos com a versão dele, apesar de algumas mudanças pequenas. Já a faixa número dois, Antífona, e a número três, Santo, Santo, Santo, são hinos que foram escolhidos por último para entrar no CD, porque eram os únicos que ainda não tínhamos produzido. Fizemos questão de deixar as duas músicas com a cara do rock britânico atual, visto que as composições vêm do outro lado do continente e mereciam essa contextualização sonora com os dias atuais, para se tornar acessível a essa geração. A faixa número cinco, Eis o Amor, Vasto Oceano, foi uma versão que fiz de um hino gravado por Matt Redman ao qual me apaixonei. Não gravamos a versão dele, como fiz com o Crowder, mas reinventamos, e no final ainda incluí um refrão de minha autoria. A faixa número 6, És o Rei que Vem, é a única de minha autoria no CD, e fez parte do repertório por estar completamente alinhada com a proposta, tanto no referente à mensagem quanto à melodia. A última faixa, que também deu nome ao trabalho, é a Doxologia. É um dos hinos mais conhecidos do Cantor Cristão, possuindo inúmeras versões gravadas em todo o mundo. Foi esse hino que completou a idéia do CD, e deu sentido e direção a toda a mensagem. Afinal, nós vivemos para dar toda Glória a Ele. Somente a Ele.

Rádio Vida: O CD contou com a participação de Daniel Delvano, tocando Alfaia. Fale sobre essa participação.
Lucas Souza: Daniel é um grande amigo nosso, e inclusive estudou comigo há vários anos. Queríamos dar uma sonoridade mais medieval às faixas 1 e 5, e convidamos o Daniel para tocar a Alfaia. Para quem não sabe, a Alfaia faz parte da família do tambor, e possui um som muito característico. Aqui no Brasil, ela é usada nas músicas regionais do nordeste, o que difere bastante da nossa sonoridade. Entretanto, por ser um instrumento muito rico e versátil, contribuiu perfeitamente para somar com a bateria e compor essa mistura tão interessante.

Rádio Vida: Você foi um dos primeiros a usar a tecnologia SMD no CD. Como surgiu a idéia de fazer um CD dessa forma?
Lucas Souza: Surgiu com a sugestão de um amigo meu, o Eduardo Mano, que também é líder de adoração e faz um trabalho muito bom no Rio de Janeiro. Ele me apresentou o site do Portal SMD, onde havia todas as informações, e de cara, me decidi pelo formato diferenciado. Sem dúvida é uma forma incrível das pessoas terem acesso a esse nosso trabalho, visto que o preço é realmente imbatível.

Rádio Vida: Como funciona essa tecnologia SMD?
Lucas Souza: SMD é a sigla de Semi Metalic Disc. É uma tecnologia desenvolvida visando baratear os custos de produção, de forma a viabilizar um formato de disco mais barato e acessível, que possa concorrer com a pirataria. A bolacha do disco é semi metalizada, de forma que a área do disco, que não é utilizada, fica transparente, reduzindo os gastos de matéria prima, e consequentemente o preço final do produto. Algumas pessoas confundem, e acham que a tecnologia do SMD não permite pirataria, o que não é verdade. Na prática, um SMD é como um CD comum, toca em todos os sons normalmente e pode ser copiado também. O que difere na realidade é o preço. Espera-se que ao custar o mesmo valor de um CD pirata, as pessoas vão ter o bom senso de comprar a cópia original.

Rádio Vida: O que você acha sobre a pirataria? A tecnologia SMD foi uma forma de fugir dessa ilegalidade?
Lucas Souza: A pirataria é uma das bizarrices da sociedade moderna. O que mais me assusta é ver gente que se diz esclarecida manter na internet comunidades e sites que fazem apologia e divulgação de MP3 ilegais, sem pagar nada por isso a seus autores. O que falta no Brasil é uma legislação que iniba esse tipo de crime, porque nada mais é do que crime roubar e reproduzir o que não é seu por direito. Nos Estados Unidos, por exemplo, há menos de um mês uma mulher foi processada e teve que pagar mais de 400 mil dólares por ter distribuído ilegalmente 23 faixas de um CD pela internet. Até quando essa impunidade vai continuar em nosso país eu não sei, mas apelo para que cada um seja consciente dos seus atos e deixe de perpetuar essa forma criminosa de usufruir o que não é seu por direito. Um amigo meu veio me mostrar um site onde era possível baixar o Doxologia completo. Fala sério! A gente faz um CD a 5 reais para o sujeito ter condições de comprar o original, e ainda assim tem gente que tem a cara-de-pau de piratear. É difícil, não é? rs

Rádio Vida: rs Pra você, o que a Vida tem de bom?
Lucas Souza: Vou te responder em forma de poesia, tudo bem? Segue o soneto:

A Vida tem de bom a própria Vida
Que corre como o mar sobre os meus ombros
Que espanta como o vento os meus assombros
E é Deus quem me alimenta na corrida

A Vida tem de bom a sobrevida
Que existe em cada ponto da cidade
No instante em que a nossa humanidade
Esforça-se em achar uma saída

Por crer que existam outros horizontes
Além desse lugar e dessas pontes
Que elevam a tristeza adormecida

Seguimos esperando na esperança
Que a fé tudo renova, é uma criança:
A Vida tem de bom a própria Vida